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14/08/2015

Manaus e a luta pela Humanização

Com o tema da Violência Obstétrica ganhando cada vez mais espaço de discussão, somado proposição de leis nacionais que regulem positivamente o tratamento dado às gestantes e mulheres em trabalho de parto ficou cada vez mais comum nos depararmos com os casos de mulheres que já passaram por experiências insensíveis durante o pré-natal, parto e pós parto.

Em Manaus, a coisa não é diferente. A cidade estatisticamente 40% de nascimentos cirúrgicos, enquanto a recomendação mundial é de 15%. Um dos indícios de más práticas para o atendimento às gestantes, uma vez que a cirurgia cesariana deveria ser criteriosamente indicada. Nos partos vaginais, as dores também vão além do parto.

Foto: Dani Cruz - veja mais


Nesse cenário, viemos apresentar uma professora da Dança Materna que está fazendo história na cidade, na luta pela humanização dos nascimentos e atendimento estendido às mães e bebês. Thati Gobeth é mãe de dois, e trilhou um caminho parecido com a maioria das mulheres na hora de receber seu primeiro filho. Ainda muito jovem e sem informação, teve a primeira filha através de uma cirurgia desnecessária. Mas mesmo tendo passado por uma experiência desagradável com isso, entregou-se intiituvamente ao maternar com muito colo, amamentação e apego ao seu bebê.

Quase duas décadas depois, na chegada do segundo filho, viu-se novamente nas mãos de um profissional que não seguia as recomendações básicas para a saúde de mãe e filho: e quase passou por outra cesárea mal indicada. Dessa vez, mais informada e contando com a ajuda do marido e uma doula teve seu bebê de parto, como sonhava.

"Minha bolsa rompeu às 4h da manhã e o Danilo nasceu às 12:42h. Foi lindo e emocionante, a pediatra chegou a se emocionar, tao raro ver uma gestante em TP. Ele nasceu com apgar 10/10 e fui respeitada de acordo com meu plano de parto."

Essa experiência aproximou Thati de sua potência como mãe e cidadã. E hoje ela é uma das manauaras atuantes na luta pelo empoderamento feminino e respeito no atendimento ao parto, em um cenário ainda tímido, nessa cidade que já foi chamada a "Terra da Violência Obstétrica". 

"Nosso movimento tem o intuito de empoderar essas mulheres, encorajá-las e, acima de tudo, mostrar que elas podem ser as protagonistas. O papel é de esclarecimento mesmo, mostrando o cenário e todas as opções. A Dança Materna é uma continuação do trabalho que começa na gestação. É um projeto de conscientização. De proporcionar um olhar cuidadoso às mães do pós-parto sob os aspectos físicos e emocionais."

A ótica do cuidado, do afeto e do respeito no tratamento às mulheres e seus filhos dentro e fora da barriga é um dos pilares claros de trabalho de Thati e de todas as professoras da Dança Materna. Temos a certeza de que é nossa missão difundir boas idéias através de práticas e vivências. E assim, disseminar essa nova cultura.

"Eu me sinto totalmente inserida nessa luta", diz Thati.

Veja aqui o calendário de aulas da Thati em Manaus e algumas fotos dos encontros maravilhosos que ela proporciona no Beta Positivo, um dos espaços pioneiros da cidade em promoção da Maternidade Ativa e empoderamento feminino. 





Fotos: J. Zamith - veja mais