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28/09/2015

Dançamos COM nossos bebês, e não APESAR deles

Os seres humanos são os únicos mamíferos que separam suas crias recém nascidas de suas mães. E seguem nessa insistência do afastamento o quanto antes, por toda a existência do filho.
Para dormir, berços, para passear carrinhos, para a mãe "voltar a ser quem ela era antes", creches. Desde muito cedo.

Claro está que nosso momento de mulher contemporânea exige muitos aparatos e recursos que nos permitam atender demandas inevitáveis, como muitas vezes é a do mercado de trabalho, combinado com a falta de leis e suporte social que apoiem a presença estendida da mãe (e pai) na vida do bebê.

Mas um tanto muito largo desse afastamento vem apenas da normose generalizada e falta de sensibilidade quando tratamos do binômio mãe e filho: a sociedade humana criou essa cultura de separação.

Laura Gutman, terapeuta Argentina que trabalha com famílias e crianças, defende que as crianças e os bebês são seres fusionais, ou seja, que, para serem, precisam entrar em fusão emocional com os outros. Este com o outro é um caminho relativamente longo de construção psíquica em direção ao "eu sou".

Essa necessidade de fusão não é diferente para as mulheres-mães, muito embora para os adultos, sob pressão e conivência, pareça ser mais possível estar afastado do filho pequeno do que o é para a criança.

Nesse contexto todo, temos vivido (ainda bem) um resgate sincero do desejo de estar perto. De estar junto, de dividir a cama, de carregar no colo. O popularmente conhecido "Attachment Parenting" ou criação com apego é apenas uma etiqueta para o processo de retomada dessa proximidade instintiva, que garantiu a sobrevivência da espécie humana ao longo do processo de evolução: não é preciso muito esforço para concluir que se nossos antepassados hominídeos colocassem os filhos para dormir "no pé da outra árvore" a espécie humana não teria sobrevivido.

Ainda que genericamente qualquer bebê esteja melhor no colo da mãe do que afastado dela, uma de nossas diretrizes para a vivência da Dança Materna é de que não se trata apenas de amarrar o bebê no colo e sair dançando.

Praticar o colo, a vivência estética da dança e a poesia do movimento em simbiose está para além de permitir que a mãe "volte a ser o que ela era antes". Está também para além de permitir que ela, ou qualquer adulto que cuida de um bebê, faça tarefas do cotidiano, muito embora todos nós tenhamos a dimensão do quanto o uso dos carregadores enquanto facilitadores de colo realmente tem efeitos positivos na vida prática.

Na Dança Materna somos constantemente desafiados a viver os corpos em movimento, troca e equilíbrio. Somos desafiados a estar com os filhos em momentos de expressão artística e criativa, com adequação da dupla. E formamos nossa equipe de profissionais para a reflexão desses desafios, de modo que mães e bebês participantes estejam sempre contemplados por uma experiência integral de cuidado e atenção. Para ambos.

Foto da aula em São Paulo por Debora Torrielli


Recentemente temos visto (e nossas professoras podem confirmar, tamanho volume de marcações que recebem nesses conteúdos) muitos vídeos de mulheres ao redor do mundo em atividades físicas variadas, com bebês amarrados no sling. Ficamos sempre muito satisfeitas em ver que caminhamos, enquanto coletivo, à uma reaproximação às nossas crias, e isso tem sem dúvida efeitos benéficos.

Mas precisamos pontuar que qualquer atividade que envolva dois corpos em movimento, pode e precisa ter o carinho e consideração por ambos, não apenas pelo corpo do adulto. Especialmente em se tratando de corpinhos de bebês, que muitas vezes aparecem chacoalhando em esquemas dançantes, coreografados e sem nenhuma atenção para sua presença física e emocional ali.

Aula da Dança Materna em Poços de Caldas, por Caroline Paim

Deixamos o convite para a reflexão, reforçando a premissa de que as atividades, propostas e iniciativas para adultos e bebês em conjunto precisam contemplar ambos, sob o risco de ser apenas mais uma embalagem plástica para a conduta que já conhecemos: distância e afastamento.

Vivemos, existimos, estamos e dançamos com os nossos bebês. E não apesar deles.

21/09/2015

"Esse negócio de Maternidade é coisa de Deusa!"

Hoje é dia de contar um pouco da história da Tati Trovatti, uma das primeiras professoras licenciadas pelo método da Dança Materna, que comanda nosso amado polo na Zona Sul carioca.

Foto: Amarelinha fotografia, veja o álbum completo

Morando em Madri, ainda sem filhos, Tati tomou conhecimento do universo da humanização através de uma amiga ativista.  E foi paixão à primeira vista: "Comecei a estudar tudo o que podia sobre gravidez, parto e puerpério, e na faculdade de Terapia Ocupacional que eu cursava, todos os meus trabalhos de alguma forma se relacionavam com esses três temas." 

Oito anos mais tarde, Tati regressou ao Brasil com muita bagagem prática e acadêmica. Yoga, se encontrava com expressão corporal, que se encontrava com dança nas aulas que ela ministrava e trabalhos que apresentava em congressos na Espanha. "Mas eu ainda não tinha know-how para trabalhar com a dupla mãe e bebê." 

Ainda na Espanha, Tati conheceu a Dança Materna pela internet, e conta que ali começou uma relação de amor.  Quando voltou ao Brasil, ela se deparou com um curso de formação para professoras: "É para mim!!" pensou.

Um ano se passou e Tati é hoje uma das professoras mentoras. Seu trabalho tem inspirado o nosso coletivo de profissionais, tocado sensivelmente a vida das alunas e seus bebês e enriquecido inestimávelmente o legado da Dança Materna enquanto proposta de cuidado integral para mães e bebês.  Veja um ping-pong que fizemos com Tati:

Faz um ano que vc atua com professora da Dança Materna, o que mudou na sua vida nesse ciclo?

Nossa, tanta coisa!!! Conheci mulheres maravilhosas, ouvi histórias incríveis, tristes, felizes, de superação, de força, de amor e de desamor. Os bebês que chegaram às minhas aulas com um ou dois meses e continuam comigo, já estão com um ano e pouquinho! Acompanhar o crescimento dessas mães e desses bebês tão de perto e com tanta frequência me faz sentir como se eles fossem parte da minha família. É uma alegria enorme! Alguns já estão falando "Tati". E eu morro de amor! 
Aprendi como professora e como mulher. Conviver com elas me ensinou acolhimento e empatia. Hoje sei que todas somos as melhores mães do mundo, perfeitas mesmo com tantas imperfeições, porque damos o nosso melhor com todo o amor que temos.

Como você prepara suas aulas?

Dedico bastante tempo na preparação porque amo fazer isso!  Talvez por ser atriz, adoro a parte da criação e dos ensaios! Normalmente começo ouvindo músicas até que  alguma me toque. Paro tudo e começo a sentir onde ela me leva. Depois penso em tudo o que preciso fazer para que a aluna compartilhe comigo esse estado de inspiração. Por exemplo, se quero trabalhar a expansão, a segurança, o empoderamento que a música me trouxe, nos exercícios, antes da dança, trabalho a kinesfera, a apropriação do espaço pessoal, relaxamento e força, equilíbrio, postura. 

No final das aulas, terminamos cantando alguma música maravilhosa que nos dê energia. É preciso muita energia pra ser mãe!! Claro que muitas vezes preparo a aula inteirinha e, quando chego, vejo que as alunas precisam de determinadas coisas, mais alongamento, ou mais tempo de conversa, ou cantar mais, ou dançar mais, ou usar um tempo mais longo na massagem dos bebês. E em vez de expansão, de repente naquele dia elas precisam de recolhimento, quietude, respirar. Cada dia é uma surpresa e uma aula nunca é igual a outra. As aulas são vivas, como o teatro. Cada professora traz muito da sua história, do seu repertório pessoal. No meu caso meus recursos são a expressão corporal, o teatro, o canto, a terapia ocupacional, a expressão corporal, a yoga, a massoterapia oriental e a minha própria maternagem em aprendizado constante.

Foto: Amarelinha fotografia, veja o álbum completo


Você tem algum momento favorito dentro da aula? 

Ah, gosto de todos! Mas se tenho que citar um favorito, é quando nos abraçamos e nos olhamos, no finalzinho da aula, depois de nos alongarmos e de cantarmos. Com os olhos apertadinhos de alegria e os sorrisos enormes, crias relaxadas, quase sempre dormindo, aconchegadas na paz do melhor lugar do mundo que é o colo de suas mães. Aí eu penso: Caramba!! como é coisa de Deusa mesmo esse negócio de maternidade!! Que coisa divina! Que sorte poder viver isso! Em círculo nos olhamos, nos reconhecemos e nos admiramos.





Você tem oferecido muitas aulas especiais para casais.  Como é essa experiência, olhando para o pai como sujeito?


Nas minhas aulas regulares sempre houve bastante participação dos pais e muita demanda dos que não podiam ir por ter um trabalho em horário comercial. Depois de alguns meses, também várias mães me pediam aulas aos sábados e pensei em fazer um sábado ao mês para casais com bebês. Já estamos na quinta aula especial!! É uma delícia de aula, muitas ex-alunas matando a saudade, muitos pais felizes, muitos "casamentos renovados" como uma vez me disse uma aluna. 
E, felizmente, vários casos de pais hiper tímidos ou que nunca tinham levado os filhos em slings, gostando e participando das aulas, dançando agarradinhos com seus filhos, sem pudores! Essa é uma oportunidade do pai conhecer um pouco da atividade que a sua mulher faz ou fazia por tantos meses, de poder relaxar e dançar junto com sua esposa e seu bebê. É um convite a um novo olhar, de um pro outro, essa mulher com quem ele se casou, que agora é mãe também. Esse homem que agora é também pai, o escolhido para ser o pai do seu filho e que fica tão mais apaixonante com um bebê amarrado no corpo. Eu sou espectadora de olhares de amor incondicional!! 

Dançar em trio, em família, pulsar juntos, cantar juntos, brincar juntos, sem medo de parecerem bobos. É incrível a ocitocina quase palpável que paira no ar!! Sempre fotografo essas aulas, convido parceiras maravilhosas, capazes de captar as delicadezas das tríades, de todo esse amor triplicado. Vemos os olhares de admiração triangulando todo o tempo, vemos as mães fortes, seguras, serenas, vemos os novos pais, ativos, amorosos, criando juntos mesmo. E os bebês tão felizes! Nessas aulas sempre fico muito emocionada, não tive pai e sei a falta que ele me faz. O meu companheiro é um pai incrível para a minha filha e sou muito feliz por isso. 

Foto: Amarelinha Fotografia, veja o álbum completo



O que você pensa e sente sobre a Dança Materna?


A Dança Materna é única. Estão nas aulas mulheres no puerpério, que é um período tão poderoso quanto complexo para nós. Re-conhecendo a seus bebês e a si mesmas. Vivendo um novo papel na sociedade, o de mãe, que não é simples! Há palpites por todos os lados, revoluções hormonais, esgotamento físico e emocional. E também toda a beleza e a magnitude de ter um filho, nada no mundo se parece a isso! Juntinhos a elas estão os bebês, que vão conhecendo um novo mundo que a mãe mostra na aula. Seguro, harmonioso, feliz, colorido, cheio de paz e de amor, amigável e prazeroso. E que tem os saltos de desenvolvimento, os picos de crescimento, os dentes, as vacinas, a amamentação que não é fácil.

Muitos desafios e dúvidas, fraquezas e fortalezas, desespero e determinação. Tanta beleza nessa complexidade. E nós as professoras? Acolhemos, fortalecemos corpos e ideias, através da arte, da dança, da brincadeira, da alegria, da leveza, ajudando a criar e a estreitar vínculos que serão para toda a vida. Um espaço para estar juntos. Se olhando, se sentindo. Aprendendo com as mulheres companheiras de estágio de vida. Com os braços e os corações abertos.

Acredito que estamos, com a Dança Materna, contribuindo para unir mais as famílias, construindo um mundo melhor, com mais respeito entre as pessoas, desde sempre e para sempre.


14/09/2015

Professoras Mentoras, mas podem chamar de Fadas

A equipe da Dança Materna cresceu bastante esse ano!
Entre muitos desafios, alegrias, conteúdos e um sem-fim de assuntos que o nosso trabalho gera, a Tati Tardioli, criadora da Dança Materna, que acompanha o trabalho de todas as professoras, sentiu que era o momento de cada turma de professoras licenciadas que se forma nos cursos, ter uma mais experiente para se inspirar, como uma referência.

É com muita alegria que apresentamos nossas primeiras professoras mentoras, que com sua prática, seu carisma, sua capacidade de inspirar e de superar desafios, olham com carinho para as professoras que se formaram esse ano e já estão conquistando corações de mães e bebês por todo o Brasil.

São elas, à esquerda Tatiane Trovatti, da Zona Sul do Rio e à direita, Sofia Menz, de Resende-RJ.



Nossa rede segue cada vez mais linda e fortalecida na colaboração e na troca constante, que fazem com que além de sermos o primeiro projeto desta área no Brasil, cultivemos vínculos sadios de irmandade e generosidade entre toda a equipe, valores dos quais Tati e Sofia são símbolos.

Obrigada, fadas!

12/09/2015

Aula Inaugural Gratuita em Recife, com Luciana Brito

Dia 19 de setembro, sábado às 9h00
Rua Neto Mendonça 841 Tamarineira - Recife. PE

Informações e inscrições:
(87) 8105-1751 whatsapp
luciana.brito@dancamaterna.com.br

03/09/2015

Posições para carregar bebês: as diretrizes da Dança Materna


A Dança Materna tem no carregamento do bebê, com sling ou outro acessório, um de seus pilares  de atuação. O movimento simbiótico de corpos de mães e filhos são parte integrante dessa experiência de atendimento integral para os momentos de gravidez (que dispensa qualquer pano!), pós parto imediato e vida com filhos até o fim da fase bebê (que consideramos até 3 anos, mais ou menos).

Portanto, estamos sempre atentas às recomendações, pesquisas e novidades na área, mas sem nunca perder de vista sua qualidade ancestral, natural e humana. E a especificidade de cada binômio mãe e bebê, de modo a favorecer sempre, sempre, que estejam juntos, saudáveis, bem atendidos e confortáveis.

Virado para o Mundo


Um exemplo de nosso discurso transformado em prática, celebrando a possibilidade de acolhimento de cada binômio individualmente, bem como a relação entre teoria e prática é o carregamento semi-frontal de bebês.

Os dois bebês da esquerda, sentados no carregador com as costas plenamente apoiadas metade no torso da mãe, metade no tecido. O bebê da direita, em posição mais lateral aproveita a situação natural do colo, amparado pelo braço da mãe.


"Bebês virados para frente no carregador, com as pernas soltas, realmente não estão em uma boa posição. Carregá-los de maneira que vejam o mundo, no entanto, com as pernas cruzadas ou agrupadas, pode ser uma ótima opção, apesar de gerar tanta controvérsia",  explica Tatiana Tardioli, criadora da Dança Materna, bailarina, estudiosa do corpo, do movimento e do desenvolvimento dos bebês. "Recomendo também que o bebê seja carregado hora para o lado esquerdo e hora para o direito, o que faz do carregamento uma experiência confortável e saudável para a mãe e  traz para o bebê a possibilidade de vivenciar de maneira equilibrada o apoio no corpo da mãe e o olhar para o mundo,  pelos dois lados, o que é amplamente importante para seu desenvolvimento" - completa.

Nas aulas da Dança Materna, por muitas vezes vemos bebês em carregamento frontal, como sentados no carregador. Tati explica que essa posição é recomendada para bebês com sustentação ativa do pescoço, que acontece geralmente à partir dos quatro meses, com o devido apoio no corpo das mães. E por que virá-los para frente?

"Não podemos falar genericamente de bebês sem levar em conta em que momento do seu desenvolvimento eles estão. Esta é uma fase onde a maioria deles começa a demonstrar uma maior curiosidade pelo mundo. Pode fazer sentido por alguns minutos que o bebê esteja virado para frente, vivendo as mesmas experiências sensoriais que a mãe vive, desde que ele esteja aconchegado como na foto acima, preferencialmente, com o tronco numa leve torção, com metade das costas apoiadas no corpo da mãe, o que favorece a posição de enrolamento da coluna, que é extremamente benéfica para os bebês por um bom tempo em seu começo de vida."

Um ponto a ser discutido quando falamos em carregamento frontal é o estímulo. Essa palavra caiu no senso comum e não podemos generalizá-la. Uma tela de computador, celular ou tablet, comprovadamente são péssimos estímulos para os bebês, pelo menos até os dois anos de idade. Ser carregado num ambiente potencialmente tenso e assustador também é inadequado. No entanto, nas aulas da Dança Materna, ou caminhando num parque, num ambiente harmonioso o bebê terá contato com estímulos adequados,  que favorecerão o desenvolvimento dos seus sentidos e o encontro visual e tátil com outros bebês, o que lhe fará sentir, apoiado pelos braços amorosos de sua mãe, que o mundo é bom e ele pode experimentá-lo com segurança.

Contato e carinho numa aula da Dança Materna em 2009. Foto: Gustavo Ferri

É preciso pontuar que as controvérsias sobre o carregar bebês virados para frente estão fundamentadas no desenvolvimento ósseo da criança. Estudos indicam que não é ergonomicamente correto projetá-los para fora do corpo da mãe, com as pernas para fora - e nisso estamos plenamente de acordo. Essa posição (abaixo, à esquerda) poderia incidir negativamente na cervical e quadris do bebê, uma vez que seu ponto de equilíbrio é alterado, e a sustentação de seu peso fica na virilha.
Abaixo, à direita, vemos o bebê com as pernas para fora na mochilinha, que é um carregador que permite um ângulo saudável para a articulação do quadril, diferente do canguru, onde as pernas ficam soltas, pendendo para baixo. Recomendamos essa forma de carregar, como do bebê à direita) à partir dos 6 meses, como explicaremos mais adiante.

Nessa comparação é nítido que a recomendação de carregar o bebê virado para mãe oferece mais suporte para pescoço e coluna - do ponto de vista ergonômico, isso é indiscutível.  Fonte da imagem: The Eco Friendly Family

Posição de Colo Natural


Na foto abaixo, o bebê está sendo carregado numa posição recomendada para recém-nascidos. Acordados, eles aceitam esta posição até aproximadamente quatro meses, variando de bebê para bebê. Ela favorece o bebê por ser uma posição que o mantém em enrolamento. O importante desta forma de carregar é que a cabeça esteja mais alta que o bumbum, devidamente apoiada e que as vias aéreas estejam desobstruídas para que ele respire livremente. É uma posição muito parecida com o modo como carregamos o bebê no colo instintivamente. No sling, com uma certa adaptação, é ótima para amamentar. Falaremos disso em outro texto.

Aula da Dança Materna na Casa do Brincar, em São Paulo. Foto: Gustavo Ferri

Para Denise de Castro, fisioterapeuta, terapeuta alfacorporal e criadora do método CorpoIntenção, o bebê quando nasce tem que se haver com três importantes presenças que irão acompanhá-lo ao longo da vida: os vínculos, a aplicação de força sobre si e a ação da gravidade.


“Dentro do útero, o vínculo era pleno, o movimento mínimo e a ação da gravidade quase inexistente. Ao nascer, o bebê inicia seu caminho como agente e sujeito passando a exercer ações sobre si mesmo, geradoras de gestos e movimentos."


Denise pontua que relacionar-se com a gravidade é um processo de aprendizagem para o bebê:
"Inicialmente, existe uma relação com a ação da gravidade de mais pressão, exercitando, de modo involuntário, respostas corporais que seguem alterando os pontos de pressão no corpo próprio. Porém, se a pressão for constante e estática, essa condição de ajustar a pressão pode ficar comprometida pela impossibilidade do bebê, de modo voluntário, de sustentar essa ação."

Dentro das diretrizes da Dança Materna, praticamos o carregamento de bebês baseado em abordagens completas, como as de Denise, que sugerem que o posicionamento dos bebês no carregador, no colo, nas superfícies, precisa passar pela reflexão de que não estamos olhando apenas para um organismo ósseo-muscular. "É interessante refletir sobre essa composição entre corpo “molinho”, volume das vísceras e pressão da ação da gravidade. Pensar, somente, no funcionamento da camada musculoesquelética desconsidera a complexidade de um corpo vivo." 
À partir dessas observações, podemos pensar o melhor uso do sling sempre na relação com o processo de desenvolvimento neuropsicomotor do bebê. Até os 4 meses o bebê fica bem com a cabeça um pouco mais alta e o tronco enrolado e mais deitado, desse modo a pressão da gravidade encontra uma área mais extensa do corpo do bebê, aliviando a pressão excessiva em uma região menor. Estado de pressão este, que ocorre quando o bebê está posicionado mais na vertical. "É necessário lembrar-se de alternar os lados do corpo do bebê que encostam no corpo da mãe, promovendo estímulos sensoriais e ações musculoesqueléticos diversas a partir do contato, da posição, da escuta."


Pernas para Dentro e Pernas para Fora


"Pensando na posição mais vertical, aumentar os pontos de apoio por meio das pernas em posição conhecida dentro do útero, e, garantir um leve enrolamento no corpo do bebê pode auxiliar no desenvolvimento de um agente-sujeito que pode se conectar consigo e com o Outro", diz Denise.

Plenamente de acordo com essa colocação, recomendamos que o carregamento vertical de bebês até 6 meses seja com as perninhas para dentro, incluindo o bebê como um todo dentro do carregador, criando uma experiência de pleno acolhimento dentro do tecido, como no útero, sem interrupção, e com mais pontos de apoio, de maneira que se aninhe no corpo da mãe inteiramente.

À partir de 6 meses, os bebês já tem uma condição ainda maior de sustentação da cabeça e da coluna, de modo que podemos diminuir a área de apoio e colocar as perninhas para fora, mantendo os joelhos mais altos do que o bumbum.


À esquerda, bebê menor de 6m com pernas para dentro, à direita, bebê maior de 6m com pernas para fora. Aula da Dança Materna na Casa Moara, 2015. Foto: Gustavo Ferri

Para saber mais sobre isso recomendamos o texto Pernas para dentro, Pernas para fora: sobre slingar recém-nascidos

Carregando Bebês nas Costas


Outra posição que podemos abordar do ponto de vista da Dança Materna, insistindo em observar as evidências e contemplar as questões específicas de cada binômio, é o carregamento nas costas. Existe um incentivo às amarrações nas costas, em especial dentro das comunidades de babywearing, com a aproximação às técnicas andinas e latino americanas. De fato, para comunidades ancestrais ou contemporâneas onde as mulheres precisam desenvolver trabalhos braçais, o carregamento nas costas é uma receita de sucesso. O bebê permanece com o cuidador, que pode exercer suas atividades diárias.

"Eu acredito que isso está inserido na divisão social do trabalho daquela comunidade. Uma mulher que carrega seu bebê nas costas precisaria de liberdade nas mãos para desenvolver as tarefas que cabem à ela", diz Tati Tardioli.


Fonte da Imagem: Ebay


Mas relativizando para a realidade de muitas mães alunas da Dança Materna, não recomendamos esse tipo de carregamento, como opção pró-forma para qualquer mãe e bebê. Isso porque entendemos que o carregamento nas costas - especialmente para mulheres que não vão subir uma montanha à pé ou ceifar a colheita de milho - deixa à desejar se comparado com o carregamento frontal.

"Nas aulas converso muito com as mães sobre este assunto. Uma vez, Akiko, mãe do Joaquim, uma aluna sábia e sensível me despertou para essa reflexão, comentando que os bebês são gerados na frente do nosso corpo. Nossos braços se projetam para a frente, para segurá-los, abraçá-los e protegê-los. Eu não posso ignorar esse dado como algo significativo na hora de escolher como amarrar meu bebê."  - diz Tatiana.

Para o uso no dia-a-dia, com bebês mais velhos e crianças, que continuam sendo carregados em algumas situações, o carregamento nas costas pode ser uma boa opção, revezada com o carregamento à frente, criando uma situação de compensação interessante para a coluna e ombros de quem o carrega.

Tatiana, carregando Gil aos três anos