Clique nos links abaixo para saber mais

21/09/2015

"Esse negócio de Maternidade é coisa de Deusa!"

Hoje é dia de contar um pouco da história da Tati Trovatti, uma das primeiras professoras licenciadas pelo método da Dança Materna, que comanda nosso amado polo na Zona Sul carioca.

Foto: Amarelinha fotografia, veja o álbum completo

Morando em Madri, ainda sem filhos, Tati tomou conhecimento do universo da humanização através de uma amiga ativista.  E foi paixão à primeira vista: "Comecei a estudar tudo o que podia sobre gravidez, parto e puerpério, e na faculdade de Terapia Ocupacional que eu cursava, todos os meus trabalhos de alguma forma se relacionavam com esses três temas." 

Oito anos mais tarde, Tati regressou ao Brasil com muita bagagem prática e acadêmica. Yoga, se encontrava com expressão corporal, que se encontrava com dança nas aulas que ela ministrava e trabalhos que apresentava em congressos na Espanha. "Mas eu ainda não tinha know-how para trabalhar com a dupla mãe e bebê." 

Ainda na Espanha, Tati conheceu a Dança Materna pela internet, e conta que ali começou uma relação de amor.  Quando voltou ao Brasil, ela se deparou com um curso de formação para professoras: "É para mim!!" pensou.

Um ano se passou e Tati é hoje uma das professoras mentoras. Seu trabalho tem inspirado o nosso coletivo de profissionais, tocado sensivelmente a vida das alunas e seus bebês e enriquecido inestimávelmente o legado da Dança Materna enquanto proposta de cuidado integral para mães e bebês.  Veja um ping-pong que fizemos com Tati:

Faz um ano que vc atua com professora da Dança Materna, o que mudou na sua vida nesse ciclo?

Nossa, tanta coisa!!! Conheci mulheres maravilhosas, ouvi histórias incríveis, tristes, felizes, de superação, de força, de amor e de desamor. Os bebês que chegaram às minhas aulas com um ou dois meses e continuam comigo, já estão com um ano e pouquinho! Acompanhar o crescimento dessas mães e desses bebês tão de perto e com tanta frequência me faz sentir como se eles fossem parte da minha família. É uma alegria enorme! Alguns já estão falando "Tati". E eu morro de amor! 
Aprendi como professora e como mulher. Conviver com elas me ensinou acolhimento e empatia. Hoje sei que todas somos as melhores mães do mundo, perfeitas mesmo com tantas imperfeições, porque damos o nosso melhor com todo o amor que temos.

Como você prepara suas aulas?

Dedico bastante tempo na preparação porque amo fazer isso!  Talvez por ser atriz, adoro a parte da criação e dos ensaios! Normalmente começo ouvindo músicas até que  alguma me toque. Paro tudo e começo a sentir onde ela me leva. Depois penso em tudo o que preciso fazer para que a aluna compartilhe comigo esse estado de inspiração. Por exemplo, se quero trabalhar a expansão, a segurança, o empoderamento que a música me trouxe, nos exercícios, antes da dança, trabalho a kinesfera, a apropriação do espaço pessoal, relaxamento e força, equilíbrio, postura. 

No final das aulas, terminamos cantando alguma música maravilhosa que nos dê energia. É preciso muita energia pra ser mãe!! Claro que muitas vezes preparo a aula inteirinha e, quando chego, vejo que as alunas precisam de determinadas coisas, mais alongamento, ou mais tempo de conversa, ou cantar mais, ou dançar mais, ou usar um tempo mais longo na massagem dos bebês. E em vez de expansão, de repente naquele dia elas precisam de recolhimento, quietude, respirar. Cada dia é uma surpresa e uma aula nunca é igual a outra. As aulas são vivas, como o teatro. Cada professora traz muito da sua história, do seu repertório pessoal. No meu caso meus recursos são a expressão corporal, o teatro, o canto, a terapia ocupacional, a expressão corporal, a yoga, a massoterapia oriental e a minha própria maternagem em aprendizado constante.

Foto: Amarelinha fotografia, veja o álbum completo


Você tem algum momento favorito dentro da aula? 

Ah, gosto de todos! Mas se tenho que citar um favorito, é quando nos abraçamos e nos olhamos, no finalzinho da aula, depois de nos alongarmos e de cantarmos. Com os olhos apertadinhos de alegria e os sorrisos enormes, crias relaxadas, quase sempre dormindo, aconchegadas na paz do melhor lugar do mundo que é o colo de suas mães. Aí eu penso: Caramba!! como é coisa de Deusa mesmo esse negócio de maternidade!! Que coisa divina! Que sorte poder viver isso! Em círculo nos olhamos, nos reconhecemos e nos admiramos.





Você tem oferecido muitas aulas especiais para casais.  Como é essa experiência, olhando para o pai como sujeito?


Nas minhas aulas regulares sempre houve bastante participação dos pais e muita demanda dos que não podiam ir por ter um trabalho em horário comercial. Depois de alguns meses, também várias mães me pediam aulas aos sábados e pensei em fazer um sábado ao mês para casais com bebês. Já estamos na quinta aula especial!! É uma delícia de aula, muitas ex-alunas matando a saudade, muitos pais felizes, muitos "casamentos renovados" como uma vez me disse uma aluna. 
E, felizmente, vários casos de pais hiper tímidos ou que nunca tinham levado os filhos em slings, gostando e participando das aulas, dançando agarradinhos com seus filhos, sem pudores! Essa é uma oportunidade do pai conhecer um pouco da atividade que a sua mulher faz ou fazia por tantos meses, de poder relaxar e dançar junto com sua esposa e seu bebê. É um convite a um novo olhar, de um pro outro, essa mulher com quem ele se casou, que agora é mãe também. Esse homem que agora é também pai, o escolhido para ser o pai do seu filho e que fica tão mais apaixonante com um bebê amarrado no corpo. Eu sou espectadora de olhares de amor incondicional!! 

Dançar em trio, em família, pulsar juntos, cantar juntos, brincar juntos, sem medo de parecerem bobos. É incrível a ocitocina quase palpável que paira no ar!! Sempre fotografo essas aulas, convido parceiras maravilhosas, capazes de captar as delicadezas das tríades, de todo esse amor triplicado. Vemos os olhares de admiração triangulando todo o tempo, vemos as mães fortes, seguras, serenas, vemos os novos pais, ativos, amorosos, criando juntos mesmo. E os bebês tão felizes! Nessas aulas sempre fico muito emocionada, não tive pai e sei a falta que ele me faz. O meu companheiro é um pai incrível para a minha filha e sou muito feliz por isso. 

Foto: Amarelinha Fotografia, veja o álbum completo



O que você pensa e sente sobre a Dança Materna?


A Dança Materna é única. Estão nas aulas mulheres no puerpério, que é um período tão poderoso quanto complexo para nós. Re-conhecendo a seus bebês e a si mesmas. Vivendo um novo papel na sociedade, o de mãe, que não é simples! Há palpites por todos os lados, revoluções hormonais, esgotamento físico e emocional. E também toda a beleza e a magnitude de ter um filho, nada no mundo se parece a isso! Juntinhos a elas estão os bebês, que vão conhecendo um novo mundo que a mãe mostra na aula. Seguro, harmonioso, feliz, colorido, cheio de paz e de amor, amigável e prazeroso. E que tem os saltos de desenvolvimento, os picos de crescimento, os dentes, as vacinas, a amamentação que não é fácil.

Muitos desafios e dúvidas, fraquezas e fortalezas, desespero e determinação. Tanta beleza nessa complexidade. E nós as professoras? Acolhemos, fortalecemos corpos e ideias, através da arte, da dança, da brincadeira, da alegria, da leveza, ajudando a criar e a estreitar vínculos que serão para toda a vida. Um espaço para estar juntos. Se olhando, se sentindo. Aprendendo com as mulheres companheiras de estágio de vida. Com os braços e os corações abertos.

Acredito que estamos, com a Dança Materna, contribuindo para unir mais as famílias, construindo um mundo melhor, com mais respeito entre as pessoas, desde sempre e para sempre.