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26/07/2016

Aula Inaugural Gratuita em Resende!


Viva!!! 
Em Resende, temos Aula Inaugural Gratuita da Dança Materna para GESTANTES nesta semana com a profa. Sofia Menz, na CASA ÚTERO!!!!
6a feira, dia 29/07, às 18:30
Informações e Inscrições:
sofia.menz@dancamaterna.com.br
(24) 99998-1646


Saiba mais sobre nossas aulas em Resende:

01/07/2016

Colo com Amor - A abordagem Brasileira para carregamento de bebês no pano

Introdução 

Famílias contemporâneas aqui no Brasil viram o ressurgimento do hábito de carregar bebês no colo com o auxílio de um aparato de pano, em meados de 2001.
Antes disso, a prática estava resumida aos grupos ancestrais que dela nunca abriram mão - como é o caso de algumas populações andinas e indígenas, para falar da américa latina. Ou talvez ainda guardasse um vislumbre de sua essência naqueles carregadores tipo mochila, os cangurus. Mas nada comparado ao que hoje felizmente podemos observar: uma difusão mais importante da cultura de colo e mais acesso aos carregadores. 

"Carregar um bebê no sling naquela época era garantia de ser parada na rua para galera perguntar o que era aquilo. Ou então pra palpitar que devia estar machucando o bebê!", diverte-se Renata Penna, blogueira, fotógrafa e ativista pelo parto humanizado e direitos reprodutivos das mulheres, que garante ter carregado muito as filhas gêmeas, hoje com 11 anos.

Se hoje não quebramos pescoços nas ruas quando estamos carregando os bebês com panos - guardado o fato de que um carregador ainda desperta olhares curiosos - é porque houve um percurso importante trilhado por diversas pessoas . Um dos grandes responsáveis pela disseminação dos facilitadores de colo por aqui é o movimento da humanização dos nascimentos e seus personagens fundamentais: os poucos médicos obstetras, doulas, parteiras e apoiadores da amamentação. Que sempre viram no colo e nos facilitadores de pano, uma prática sinérgica com a abordagem humanizada que defendiam. E defendem até hoje.

A Dança Materna atua com o apoio dos carregadores de pano desde 2008 sob regência da bailarina e especialista em bebês Tatiana Tardioli. Conheça um pouco de sua trajetória aqui.

E sem dúvida, nunca esqueceremos do tempo em que disseminamos os benefícios dos slings. Melhora a saúde física e emocional de mãe e bebê, auxilia na amamentação, promove empoderamento, melhora vínculo, entre tantos outros fatores.

Porém hoje, é momento de avançar nessa discussão. Com a abertura do universo dos carregadores de pano e encontro de diversas pessoas, empresas e teorias dentro desse universo, não estamos mais apenas discutindo os benefícios do colo. E sim observando o nascimento e consolidação de ABORDAGENS para a prática de carregar bebês no pano.

Isso é extremamente salutar, o entendimento de que, munidos de informação sobre as variadas opções disponíveis - no mercado e também fora dele - um adulto pode escolher com qual conjunto de valores e práticas mais se identifica.

Dedicamos o texto de hoje para falar um pouco da abordagem humanizada para o carregamento de bebês no colo. A quem carinhosamente batizamos de Colo Com Amor. Essa abordagem vem sendo construída pelo trabalho de pessoas ligadas aos primórdios do ressurgimento da prática aqui no Brasil, como Tatiana Tardioli e muitas outras pessoas interessadas nessa construção.

Para conhecer todas elas, peça para entrar no grupo Colo com Amor, no Facebook.

DIRETRIZES COLO COM AMOR

Da aula de Macaé com Farid Rocha

Entendimento integral das coisas

A aborgadem Colo Com Amor é de embasamento holístico. E por holístico, temos o entendimento integral das coisas. O olhar para o todo que envolve uma mãe, seu bebê e a saúde de ambos, no encontro de várias áreas de conhecimento. Observamos o colo como uma prática, aprendizado e manifestação cultural apoiada em uma série de sabedorias. Desde a bagagem ancestral, a quem honramos e respeitamos, passando por aspectos do desenvolvimento motor, psicosocial e emocional dos bebês e necessidades reais das mães (ou outros adultos carregadores).

Princípio Humanizante

O contorno da abordagem Colo com Amor, é o princípio básico da humanização. Em oposição à outras abordagens em desenvolvimento no mundo da cultura de colo, o colo é a finalidade, e os panos são o meio. E entre essas duas coisas existe um universo de vivências que entendemos ser o modelo humanizado. Parafraseando Antônio Cândido, entendemos que humanizar a prática significa "confirmar no homem aqueles traços que reputamos essenciais, como o exercício da reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para com o próximo, o afinamento das emoções, o senso de beleza, a percepção da complexidade do mundo e dos seres, o cultivo do humor”. 

Escuta ativa 

Em sintonia com o princípio humanizante, entendemos que o uso dos carregadores se apoia em diversos saberes e é transferido entre pessoas interessadas tanto em manter viva a cultura do colo como em gozar de seus benefícios inestimáveis, porém pessoas em contextos. E contextos são múltiplos, tanto quanto as pessoas. Sendo a interação entre os indivíduos e o meio uma condição para a aprendizagem, não estabelecemos regras rígidas à priori no que diz respeito à posição do bebê, tipos de amarração, tipos de tecido ou afins. Na abordagem Colo Com Amor a escuta ativa das especificidades é mais importante do que ideais de perfeição. A vivência plena da maternidade e proteção afetuosa da primeiríssima infância são mais importantes do que as técnicas. Este princípio se estende tanto para o adulto carregador como para o bebê carregado, que vemos deliberadamente esquecido por abordagens não humanizadas de carregamento. 


Balizas de Segurança

Em constante articulação entre teoria e prática, aprendemos que há algumas balizas de segurança para o uso de carregadores, no que diz respeito à posição do bebê e qualidade dos tecidos e amarrações. As balizas de segurança não são regras, e sim observações óbvias para pragmaticamente evitar acidentes. De maneira nenhuma entendemos que as balizas de segurança podem ser usadas para oprimir, coagir ou interferir na simbiose entre bebê e adulto carregador. No entanto, cabe a observação dos seguintes aspectos (baseado no TICKS, conjunto de segurança para carregadores desenvolvido em 2010 no Reino Unido)

BRAQS

1) Bem Ajustado: Slings e carregadores devem ser apertados o suficiente para manter seu bebê perto de você da forma que seja mais confortável para ambos. Qualquer folga / tecido solto permitirá que seu bebê a deslize no tecido, o que pode dificultar a sua respiração e forçar as suas costas. Consideramos aqui os nós dos carregadores, bem como a qualidade das argolas e fivelas no que diz respeito ao peso suportado e condições de travamento. Essa baliza norteia a segurança mecânica do carregador e do bebê no carregador.

2) Rosto visível: você deve sempre ser capaz de ver o rosto do seu bebê, simplesmente olhando para baixo. O tecido de sling ou carregador não deve se fechar em torno do bebê. Em uma posição berço ou colo, o bebê deve estar voltado para cima não estar virado para o seu corpo. Assim como em posição de colo natural, ou quando colocado no berço, o rosto do bebê deve estar visível, e não coberto por panos ou cobertores. Essa baliza diz respeito tanto à segurança contra asfixia do bebê mas é um convite de atenção do adulto carregador, tal e qual é demandada para um bebê fora do carregador. Olhar o rostinho do bebê pode alertar para qualquer desconforto.

3) À distância de um beijo: a cabeça do bebê deve estar tão perto de seu queixo quanto for confortável. Inclinando a cabeça para frente você deve ser capaz de beijar seu bebê na cabeça ou na testa. Essa baliza diz respeito à altura do carregamento, para evitar exclusivamente que os solavancos do caminhar do adulto atuem como pêndulo em um bebê colocado muito baixo. Ainda assim é relevante notar que na abordagem Colo Com Amor, compreendemos que o corpo do adulto contempla também uma série de variáveis. Por exemplo, é comum que quando carregados por homens, os bebês e adultos estejam em uma posição mais confortável - e igualmente segura - um pouco mais abaixo da distância do beijo. Ou ainda, que algumas ocasiões peçam por um carregamento nas costas. 

4) Queixo afastado do peito: um bebê nunca deve ser curvado de forma que o seu queixo seja forçado sobre o peito, pois isso pode restringir sua respiração. Garantir que há sempre um espaço de pelo menos um dedo de largura sob o queixo do seu bebê. Essa baliza tem a finalidade de promover posição fisiológica natural da traquéia do bebê e não significa que este deva ser carregado apenas verticalmente. No entanto, aponta que, nos carregamentos semi-deitados e mais enrolados, a pressão do tecido não deva exercer força sobre a cabeça de modo a enrolá-la sobre o pescoço o suficiente para provocar sufocamento. 

5) Suporte nas costas: Em um carregamento vertical o bebê deve ser carregado de forma que ele fique confortavelmente perto da pessoa que o carrega, com as costas suportadas na posição natural e barriga contra o adulto. Se um sling é muito frouxo, o bebê pode deslizar no tecido, o que pode fechar parcialmente suas vias aéreas. (Isto pode ser testado colocando a mão nas costas do seu bebê e pressionando suavemente - ele não devem se enrolar ou se mover muito em sua direção). Um bebê em um carregador de posição berço/colo deve ser posicionado com cuidado com a sua parte inferior na parte mais profunda do tecido, de modo que o sling não o dobre ao meio pressionando seu queixo contra seu peito. 

Da aula em Salvador, com Érika Mariana e Juliana Oliveira


Múltiplas Fontes de Saber: 

A abordagem Colo Com Amor, assim como qualquer prática humanizada, se apoia em múltiplas fontes de conhecimento, sendo principalmente:
- a bagagem ancestral da cultura de colo através dos tempos e por todo o mundo.
- a experiência das promotoras da cultura de colo no Brasil e no mundo: parteiras, doulas, médicas e médicos pediatras, consultoras, fabricantes, vendedoras e mães que vem compartilhando suas vivências de forma gratuita e generosa. 
- a inteligência técnica e científica de variados estudiosos sobre aspectos variados do desenvolvimento de bebês.
- os saberes de ordem intuitiva, instintiva e não mensuráveis das relações entre mães e bebês.

O colo é maior que o pano

A história do carregamento de bebês através do tempo e pelo mundo é marcada pela versatilidade e pluralidade de formatos, tipos de tecido e posições do bebê. A matriz têxtil de cada região em combinação com fatores geográficos (clima) e aspectos socio-culturais (tipo de atividades exercidas pelos adultos carregadores) determina a predominância de um ou de outro modelo ou posição de colo. Nas tribos indígenas brasileiras por exemplo, há uma larga utilização de tipóias trançadas. Tipóias que vemos também em comunidades ancestrais africanas, mas que fazem bom uso do couro. Povos com tradição em plantio de algodão, cardagem e fiação, tem em sua cultura de colo tecidos retilíneos. Nas populações onde as mulheres-mães atuam em atividades manuais como colheita, ceifagem (entre outros) é comum que os bebês sejam carregados nas costas. Em localidades frias, o bebê é enrolado em mantas antes de ser colocado no carregador. Tudo isso para estabelecer que a abordagem Colo Com Amor considera os aspectos climáticos, sócio culturais, do desenvolvimento do bebê, do conforto do adulto carregador e da disponibilidade dos tecidos, em combinação com as nossas outras diretrizes já descritas. Na sociedade contemporânea, as propagadoras da cultura de colo dentro da abordagem Colo Com amor atuam na pesquisa, confecção, venda, educação, disseminação e vivência da prática de forma transdisciplinar, de modo que constroem a abordagem de forma autoral, flexível e baseada na práxis cotidiana para além dos textos científicos.

Tecnologia Social

A abordagem Colo Com Amor entende o uso do carregadores de pano e facilitadores de colo como uma tecnologia social. Acreditamos que carregar bebês é sabedoria feminina que deve ser compartilhada, estimulada e preservada, e se em algum momento o elo desta corrente se quebrou, cabe à nós reconectá-lo. Portanto promovemos a disseminação desse conhecimento de variadas maneiras. Em encontros coletivos, rodas maternas, entre consumidores e clientes, através das redes digitais, e, nos casos das pessoas que fabricam carregadores de pano, em suas lojas, eventos e oficinas. A abordagem Colo Com Amor privilegia a transmissão gratuita, horizontal e democrática desse conhecimento, não tendo as consultorias particulares e cursos de formação como foco de atuação. Colo Com Amor, é uma abordagem com menos apelo mercadológico e mais apelo social. 


Da aula de Belo Horizonte, com Ludmila Yarasu-Kai


Evidências Científicas, Estudiosos e Bibliografia da Abordagem Colo com Amor: 
A abordagem Colo Com Amor entende o material acadêmico como apoio para proteção da cultura de colo frente aos interesses de grandes iniciativas, que no último século vem lucrando com a tendência vigente de separar fisicamente os humanos de suas crias. Assim, a comunidade científica só vem confirmar o que já sabemos: colo faz bem. A abordagem colo com amor não usa o resultado de pesquisas como fonte de imposição de regras, e sim os observa criticamente em sincronia com todas as diretrizes que a norteia. 

Assim, algumas evidências estudiosos e publicações tem se mostrado aderentes ao conjunto Colo com Amor:

DOWBOR, Fátima Freire. Quem educa marca o corpo do outro. São Paulo: Cortez, 2007. GUTMAN, Laura. A maternidade e o encontro com a própria sombra. Rio de Janeiro: Best Seller, 2010. ______________. O poder do discurso materno. 1 ed. São Paulo: Ágora. 2013. ______________. Mulheres visíveis, mães invisíveis.1 ed. Rio de Janeiro: Best Seller, 2013. 
KARP, Harvey. O Bebê mais feliz do pedaço. São Paulo: Planeta, 2004. LIMA, Elvira Souza. Como a criança pequena se desenvolve. São Paulo: Inter Alia, 2010. 
NICOLESCU, Basarab. O Manifesto da transdiciplinaridade. São Paulo: TRIOM, 1997. 
STRUYF, Godelieve Denys. O método das cadeias musculares e articulares: o método G.D.S. São Paulo: Summus Editorial, 1995. 
TRINDADE, André. Gestos de cuidado, gestos de amor: Orientações sobre o desenvolvimento do bebê. São Paulo: Summus Editorial, 2007. 
WINNICOTT, D.W. Os bebês e suas mães. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2012. _______________. A criança e seu mundo. 6 ed. São Paulo: LTC, 2013.